Bibliotecas y pueblos originarios – Bibliotecas e povos indígenas

Bibliotecas e povos indígenas


 

Sobre este sítio

Sujeitos a uma forte pressão, as sociedades indígenas e "minoritárias" do mundo estão a perder as suas culturas e identidades a um ritmo vertiginoso – um processo que parece cada vez mais irreversível.

Em colaboração direta com a comunidade e outras instituições culturais e educacionais, a biblioteca – no sentido mais amplo do termo – pode desempenhar, além das suas tradicionais tarefas de (in)formação, um papel importante na recolha, revitalização, visibilidade, manutenção e difusão das línguas, as tradições orais e outras expressões culturais nativas.

Tal requer o desenvolvimento dos fundamentos teóricos da BCI (Biblioteconomia e Ciência da Informação) a partir de uma perspectiva interdisciplinar e intercultural, não colonialista e não eurocêntrica, e da adaptação das técnicas da BCI às situações e necessidades específicas expressas pelos povos indígenas.

Esta plataforma digital, mantida desde 2007, reúne e divulga conceitos e experiências para desenvolver serviços de bibliotecas em comunidades indígenas, a nível internacional e no contexto latino-americano. Os desenvolvimentos teóricos, ensaios e resultados do trabalho de campo do autor são apresentados aqui, bem como documentos, projetos e iniciativas de organizações, instituições e profissionais de todo o mundo.

 

Sujeitos da pesquisa

Os sujeitos da pesquisa a discutir neste sítio serão os problemas dos povos nativos e "minoritários" no acesso a bibliotecas e outros espaços de informação, e os problemas desses espaços para prestar tais serviços; o colonialismo e o eurocentrismo que dominam o atual sistema hegemónico global e afetan á BCI, as suas técnicas e as suas ferramentas; as notáveis lacunas teóricas e práticas da BCI ao lidar com sociedades "minoritárias"; e a perda de identidades, culturas e idiomas dessas sociedades, juntamente com as ações que podem ser tomadas desde a biblioteca para reverter tal processo. Estes temas de pesquisa (e os seus resultados) podem ser igualmente aplicáveis a muitos outros grupos humanos que não são "minorias" ou "indígenas" mas partilham os mesmos problemas (e muitas vezes não são tão visíveis).

Estes conteúdos serão complementados com os publicados em "Tradición oral" e "Bibliotecario".

A teoria e a prática coletadas aqui mostram um trabalho contínuo de crítica e auto-crítica, numa tentativa de evitar a falsa singularidade, o romantismo e o exotismo com as que, infelizmente, foram rodeados os povos indígenas e "minoritários" (e que por séculos os mantiveram na posição do "outro").

Dentro dessa política de auto-crítica, tem sido abandonado aqui o uso do termo "biblioteca indígena" pelos problemas e as contradições inerentes ao conceito. Assume-se que uma biblioteca pública tem de prestar serviços a todos os seus utilizadores por igual, sem distinções, descrições ou rótulos, incentivando a interacção e o reconhecimento entre os diferentes sectores e identidades sociais. A ênfase, portanto, não será sobre a criação de "bibliotecas indígenas/minoritárias", mas sobre o desenvolvimento de ferramentas, técnicas, orientações, definições, conceitos, estratégias, etc. para permitir a qualquer biblioteca responder adequadamente às necessidades dos utilizadores indígenas ou "minoritários", ser capaz de gerir o conhecimento indígena, e/ou servir de espaço de (re)conhecimento, reunião e diálogo para diferentes culturas e identidades.

 

O autor

Em primeiro lugar, sou um bibliotecário: um gestor de informação e, ao mesmo tempo, um leitor ávido. Durante os últimos 15 anos tenho explorado muitos dos campos da minha profissão, e tenho-me especializado naqueles de que mais gosto: a recolha e gestão da história oral e da tradição sonora (musical), os povos indígenas (e as bibliotecas para eles), as línguas e culturas em vias de extinção e a classificação do conhecimento. Mas tenho servido como bibliotecário de referência e catalogador em bibliotecas populares e académicas, públicas e privadas. Tenho sido um professor, um investigador e um autor. Construí realidades e comunidades virtuais. Apoiei o pensamento crítico, a acção direta comprometida, o acesso aberto à informação... Carreguei livros infantis às costas nas comunidades rurais, e projectei bibliotecas digitais de biologia médica; ensinei em cursos para bibliotecários populares e participei em projetos e organizações internacionais.

Trabalhei em serviços de biblioteca para povos indígenas quase desde que comecei como bibliotecário, quer directamente no campo (em comunidades do nordeste da Argentina), quer como professor e investigador, desenvolvendo e transmitindo teoria e boas prácticas. Tenho publicados livros e artigos, dado conferências e ministrado cursos em níveis internacionais.

Além do mundo dos livros, passei a vida inteira como editor e revisor de textos académicos e designer gráfico. Estudei Biologia e História, além de Biblioteconomia. Tentei muitas outras coisas além do meu campo de especialização (e falhei em muitas delas). E adoro contar histórias: seja tocando música, escrevendo contos e romances, ou observando a realidade virtual através dos meus blogues.

 

Contato

Por favor, escreva para edgardocivallero (at) gmail (ponto) com.

 

Direitos autorais

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Foto: Livro de papel sintético (plástico reciclado) do povo Huni Kuï de Acre (Brasil), de Ecodesenvolvimento (ligação).